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Nutaliose
 

     A Nutaliose é uma doença causada pelos protozoários Babesia caballi e o Babesia equi e também é chamada de Babesiose eqüina ou simplesmente Babésia (em alusão ao nome do agente causador) ou Piroplasmose. A Nutaliose é transmitida, principalmente, pela picada do carrapato (Dermacentos sp - carrapato que se aloja na orelha do cavalo; Rhipicethalus sp, Hyaloma sp e Amblioma cajannense). A transmissão de uma geração a outra de carrapatos dá-se por infecção transovariana, ou seja, os ovos são postos já contendo o parasita (babésia) que irá acompanhar todo o desenvolvimento até que o carrapato atinja o estágio adulto para tornar-se infectante.

     

      São citados outros transmissores como pulgas e mosquitos, podendo ser transmitida, também, por agulhas e instrumentos cirúrgicos contaminados, mas não é transmitida de cavalo para cavalo.

     

      O Protozoário infesta as células do sangue, destruindo-as, causando uma anemia que pode variar de intensidade. Se ela for muito intensa, observa-se o animal triste, magro, com febre, fraco, com as mucosas amareladas, pelagem feia e pode levar ao óbito. Felizmente, o mais comum é uma anemia branda, observando-se certa fadiga após o exercício e diminuição do desempenho.

     

      O ciclo de vida, tanto da Babesia caballi quanto da Babesia equi é dividido em duas fases: Uma no sangue periférico dos eqüinos, onde se encontram em forma de merozoítos e trofozoítos, e outra no carrapato. Após a infecção com o carrapato, o período de incubação é de 12 a 30 dias para B.caballi e de 12 a15 dias para B.equi. São de fácil diagnóstico, tratamento simples, prognóstico favorável desde que seja descoberta em seus estágios iniciais (e SEMPRE acompanhada de um veterinário).

     

     

     Sintomas

     

     Anemia grave – devido à destruição dos glóbulos vermelhos;

     Febre;

     Amarelamento das mucosas (icterícia);

     Incoordenação dos movimentos;

     Morte (em casos muito severos).

     Ainda podem ser observados:

     

     Falta de apetite;

     Depressão (apatia - sendo um dos primeiros sinais clínicos a queda da performance);

     Lacrimejamento;

     Pulso aumentado, podendo chegar até a 80 a 100 por minuto (em alguns casos foi noticiada pulsação da jugular);

     Inchaço dos membros (edema);

     O animal permanece deitado por mais tempo.

     

     

      Alguns casos agudos levam a hemorragias petequiais nas mucosas, as quais assumem coloração amarelada. Podem ocorrer, também, edemas subcutâneos no abdômen, nos órgãos genitais e nas extremidades, assim como nos pulmões. Distúrbios gastrointestinais (cólica e/ou diarréia) podem ser observados, e também abortos, assim como a infecção do feto devido à transmissão intra-uterina que é relativamente comum. O feto pode ser infectado por ambas as espécies de Babésia durante a gestação sem que a égua apresente qualquer sinal clínico da doença. Em casos crônicos os sinais clínicos podem persistir por um período longo (mais de 15 dias). A taxa de mortalidade depende do estado geral do animal infectado e da virulência do parasita. Ocorre uma alta taxa de mortalidade quando a doença ocorre na fase aguda em animais velhos e que nunca foram expostos à Babésia, quando introduzidos em áreas endêmicas.

     

      Na necrópsia de cavalos que morreram devido à infecção aguda de B.caballi, encontram-se, geralmente, exsudato seroso e edema subcutâneo em todas as cavidades do corpo; edema pulmonar, glomerulonefropatia (alterações nos rins), hepatoesplenomegalia (aumento do fígado e pâncreas), e hemorragias petequiais nas mucosas.

     

      A queda no rendimento do animal é explicada pelo fato de haver uma menor oferta de oxigênio, decorrente destruição das hemáceas (similar à malária humana), responsável pelo transporte de gases (O2 e CO2) no corpo animal.

     

     

     Diagnóstico

     

      O diagnóstico preciso só pode ser confirmado através de exames laboratoriais – exame de Piroplasmose ou de Babésia – coleta-se, aproximadamente 5ml de sangue sem anticoagulante. Pode-se fazer, também, uma pesquisa de hematozoários, que é mais antiga e conhecida, mas ela só funciona bem nos casos agudos, quando o animal apresenta febre alta.

     

      Para fins de viagens internacionais e de seguro, este é um dos exames exigidos para controle fito-sanitário de cavalos e a liberação para competição. Felizmente, para o plantel brasileiro, onde a doença apresenta-se praticamente endêmica, esse modelo de exame apresenta baixa sensibilidade e pode-se tratar o portador crônico para que o animal possa viajar alguns meses após o início do tratamento. Já existindo, porém a probabilidade da obrigatoriedade da aplicação do teste Elisa, que detecta portadores crônicos, que não apresentam sintomas e são chamados de portadores Assintomáticos.

     

      Isto poderia significar o término de várias carreiras internacionais para alguns cavalos brasileiros de renome, uma vez que nosso plantel já apresenta grande número de animais infectados.

     

     

     Controle

     

      A única medida eficaz para o controle da Nutaliose é combater os carrapatos. Para isso, identifica-se a espécie correta de carrapato que está parasitando os cavalos do plantel e/ou hípica a fim de detectar exatamente quais espécies estão presentes.

     

     Detectando-se o parasita, a próxima etapa consiste em determinar o habitat exato, para tornar o combate mais preciso e definitivo, pois cada espécie possui ciclo de vida diferente e deve ser controlada de modo diferenciado, variando-se a intensidade do controle e a época de combate. Algumas espécies não podem ser detectadas a olho nu devendo-se proceder ao teste Elisa em todo o Plantel para que haja precisão na determinação das espécies presentes. O recomendável é a visita de um técnico especializado que avalie as medidas corretas e adequadas a cada propriedade/plantel a serem implantadas, como o controle de plantas invasoras nas pastagens, banhos, manejo dos animais e propriedade, etc.

     

     

     Tratamento

     

      A Nutaliose provocada pela Babesia caballi pode ser combatida pelo sistema imunitário do animal que a elimina da circulação sangüínea, basta apenas dar suporte alimentar e vitamínico e eliminar o transmissor para que não ocorra reinfestação e contaminação. Já a Babesia equi não pode ser eliminada pelo animal e ele se tornará um portador crônico pelo resto da vida. Apesar da proteção (anticorpos) que um portador assintomático possui, ele pode vir a apresentar sinais agudos em situações de estresse. Existem alguns medicamentos disponíveis no mercado que podem controlar a doença, porém não eliminá-la, havendo uma queda de resistência no organismo do animal, é provável que a doença se manifeste em sua fase aguda, sendo necessária a utilização de medicamentos para a manutenção. Devem-se deixar os cuidados a cargo de um veterinário, pois os medicamentos são bastante tóxicos, afetando o animal e produzindo, muitas vezes, efeitos colaterais severos, como cólicas, diarréias, salivação, sudorese, inflamação no local da injeção, e que apenas um profissional especializado sabe como contornar.

     

      Devemos nos conscientizar e a todos que lidam com o problema (criadores, veterinários, cavaleiros, tratadores e treinadores) para que haja controle do vetor (carrapatos, mosquitos, pulgas) e da doença, para melhoria dos planteis brasileiros.

     

     

Deanna Buono é colaborador do nosso site desde 05/11/2005 e já possui 11 publicações em nosso Portal nas categorias: Rédeas, Crônicas, Doma, Saúde e Genética
  Todas as publicações de Deanna Buono
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   28/12/2005 - As Manobras da Prova de Rédeas
   05/11/2005 - O que é rédeas
 
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   16/10/2008 - A ORIGEM DO CAVALO MODERNO:
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