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Excesso de Selênio na Dieta
 

      Muitas são as histórias que temos vivido e que são, sem sombra de dúvida, de interesse para todo clínico ligado aos cavalos.

      Em 1999, prestando assessoria a um cavaleiro de nível internacional (por razões óbvias, vou preservar o nome e a atividade esportiva do cavaleiro), fui chamado por este cavaleiro para auxiliar na solução de um problema que estava ocorrendo com alguns de seus animais após algumas etapas de provas seletivas para uma competição internacional.

      O problema que foi apresentado é que alguns de seus animais estavam apresentando início de Laminite logo após algumas provas (ligeira claudicação, pulso nos membros, etc.).

      Claro que a suspeita principal recaiu sobre a ração (a ração, sempre a ração – precisamos repensar se o erro é da ração ou do manejo que damos a ela quando ofertamos ao cavalo).

      Obviamente, antes de visitar o cliente, confirmei que não havia problema com a partida de ração que o cliente estava utilizando.

      Chegando ao Centro de Treinamento, busquei todas as informações possíveis sobre tudo que os cavalos comiam, como era o Treinamento dos animais e em que condições ocorriam as competições em que os animais apresentavam o problema.

      Constatando que o Treinamento dos Cavalos estava dentro da técnica adequada sem sobrecarregar os animais e as provas seguiam um nível adequado ao treinamento, comecei a analisar a alimentação do animal.

      E aqui entra uma importante forma de observação. Os animais eram alimentados com o que havia do bom e do melhor. Feno de Coast-cross de excelente qualidade, concentrado equilibrado em ótima quantidade (3,5 a 4 kg ao dia de ração alta energia – para um animal de 450 kg) e uma boa gama de suplementos.

      Aparentemente, poderíamos descartar a possibilidade de um problema nutricional, pois o animal estava recebendo tudo o que deveria. Os suplementos eram do tipo Minerais Quelatados, Vitamina E e Selênio, Eletrólitos, além, é claro, de sal mineral para Eqüinos.

      E aí é que a coisa pega, pois o que nos parece equilibrado, na verdade está superalimentado. O que normalmente esquecemos de observar é se não há excessos alimentares na dieta de nossos cavalos. Excessos não são apenas por uma grande quantidade, mas também pela utilização de um elemento por um período contínuo, muitas vezes sem que haja necessidade desta suplementação.

      Em nossos estudos, a literatura cita que “a administração contínua e ininterrupta de Selênio pode causar uma carência Induzida de Enxofre, mineral essencial para a formação de aminoácidos sulfurados, fundamentais para a formação do casco”.

      Há aproximadamente 03 anos, este cavaleiro oferecia, ininterruptamente, um suplemento a base de Selênio e Vitamina E, independente do nível de atividade dos animais.

      Foi suspenso o fornecimento deste Suplemento por 15 dias e somente oferecido aos animais em períodos onde a atividade física é mais intensa. Claro que esta atividade mais intensa ocorre na maior parte do ano, mas no chamado período de férias do animal, onde a atividade deve ser somente reduzida e não interrompida, não ocorre o fornecimento deste suplemento, além de um período de redução da atividade entre as provas e competições.

      Retornando ao CT após 06 meses não ocorreram mais casos de início de Laminite, onde a dieta dos animais foi adequada ao nível de treinamento, inclusive o fornecimento dos suplementos.

      Claro que não podemos afirmar com certeza absoluta, indiscutível, se foi o Selênio que causava esta patologia, mas, eliminado-se isto como causa, eliminou-se o problema, portanto....

André Cintra é colaborador do nosso site desde 17/05/2005 e já possui 22 publicações em nosso Portal nas categorias: Nutrição, Saúde e Negócios
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