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A PROTEÍNA NA ALIMENTAÇÃO DOS EQÜINOS
 

     Historicamente, criou-se o conceito de que animal bem tratado deve ter alimentação rica em proteína, onde o fornecimento de alfafa e rações com teores de Proteína Bruta próximos a 15% seriam os ideais para a boa performance do eqüino.

      Em uma análise técnica, considerando-se individualmente cada categoria animal (potros, éguas em reprodução, garanhões, animais de trabalho ou em manutenção), sabemos que existem diferenças nas necessidades protéicas de cada categoria.

      O fornecimento de proteína é fundamental, devendo ocorrer de forma balanceada (sem deficiências nem excessos) de acordo com as exigências de cada animal.

      Além da qualidade da Proteína, outro fator a ser levado em consideração, é sua quantidade. Todo animal deve ter um limite no teor de proteína em sua dieta. Um excesso de proteína na alimentação pode trazer problemas para o animal. Uma dieta balanceada deve considerar tudo o que se oferece ao animal, equilibrando-se o concentrado e o volumoso, além dos suplementos oferecidos ao animal.

      Especialmente para cavalos de esporte, um conceito fundamental é de que o Trabalho Muscular é condicionado ao fornecimento de Energia, e não de Proteína. Portanto, devemos limitar e mensurar corretamente os valores protéicos especialmente oferecidos a esta categoria.

      Quando ocorre o processo de digestão do alimento, com quebra da proteína para absorção dos aminoácidos (componente da proteína, como Lisina, Metionina), ocorre a formação de um composto tóxico (amina) para o cavalo.

      Em condições normais, este composto é naturalmente eliminado pela urina, através dos rins. Quando ocorre excesso de proteína na alimentação, ocorre um excesso deste componente tóxico que não vai conseguir ser eliminado através da urina indo para a circulação sangüínea. Isto pode ocasionar o desenvolvimento de flora patogênica (prejudicial) pelo Intestino Grosso o que causará:

      - Enterotoxemia: produção de toxinas no Intestino

      - Problemas Hepáticos

      - Emagrecimento do Animal

      - Problemas Renais com urna abundante

      - Má recuperação após o esforço: mais facilmente observado em cavalos de esporte, com atividade física regular

      - Problemas de fertilidade em garanhões: queda na espermatogênese (processo de produção de espermatozóides)

      - Transpiração Excessiva: em alguns animais é facilmente observado através do suor "espumante", o que leva a uma perda excessiva de eletrólitos (minerais) fundamentais para o animal

      - Cólicas e Timpanismo (produção de gases)

     

      Considerações Gerais

     

      Qualquer que seja a categoria animal a ser nutrida, devemos sempre pensar em balancear a dieta do animal, suprindo suas necessidades, sem deficiências nem excessos.

      Para isso, devemos sempre contar com o auxílio de profissionais capacitados e de softwares de dieta, para oferecermos corretamente todos os nutrientes fundamentais: Energia, Proteína, Macro e Micro Minerais e Vitaminas, lembrando sempre que, para cada categoria, existem diferentes necessidades nutricionais que devem ser supridas para o bom desempenho do animal.

      Uma boa nutrição deve ser baseada nas reais necessidades do animal, e não naquelas que achamos que o animal necessita.

      Os "achismos" , "suposições" ou simples cópia do que o vizinho faz, podem ser tão ou mais prejudiciais que a não oferta dos nutrientes adequados ao animal.

      Aqui vale um outro alerta: Este prejuízo pode ser muito evidenciado no nosso bolso, pois muitos produtos são extremamente caros e nem sempre eficazes ao nosso animal.

      É claro que a imensa maioria de suplementos existentes, desde que oriundo de empresas idôneas, tem sua eficácia.

      Mas o ponto principal é: O produto em questão é eficaz e necessário ao meu animal?

      O que quero ressaltar é a individualidade de cada animal. Isto é, as necessidades de cada animal são inerentes a ele, devendo ser avaliadas de acordo com as características de raça, digestibilidade individual, temperamento, condições ambientais em que o animal vive e, claro, dependendo do tipo de esforço físico a que ele está submetido.

      Esta regra vale para todos os tipos de suplementos, mas, especificamente aqui, quero ressaltar a devida importância dos aminoácidos.

      Aminoácidos são a base de todas as proteínas. Quando se fala em necessidades protéicas falamos realmente de necessidades em aminoácidos.

      Existem os aminoácidos chamados essenciais (Lisina, Metionina, Triptofano, Histidina, Fenilalanina, Alanina, Treonina, Valina e Arginina) e os não essenciais (Creatina, Carnitina, Glicina, Serina, Prolina, Hidroxiprolina, Cisteína, Isoleucina, Leucina, Tirosina, Glutamina, Ornitina, Taurina) .

      Aminoácidos essenciais são aqueles que o organismo do eqüino não consegue sintetizar, devendo obrigatoriamente constar de sua dieta.

      Aminoácidos não essenciais são fundamentais para o bom funcionamento do organismo, porém o animal consegue sintetizá-los através de outros aminoácidos (ex. Carnitina é derivada dos aminoácidos Metionina e Lisina, Creatina é sintetizada dos aminoácidos Glicina, Arginina e Metionina).

      Em condições normais, para um cavalo em manutenção, uma dieta equilibrada, com forragem fresca ou feno de boa qualidade, é suficiente para suprir as necessidades do animal.

      Entretanto, ao se submeter este animal a condições que exijam uma melhora em sua dieta, torna-se necessário uma suplementação adequada para que estes aminoácidos não faltem ao organismo do animal.

      Esta suplementação pode ser através de um concentrado (ração de boa qualidade) ou ainda através da adição de suplementos nutricionais específicos.

      Está muito em voga hoje a utilização de suplementos a base de creatina, estudam-se outros a base de carnitina, glutamina, bcaa, entre outros, todos atuando diretamente na melhoria de disponibilidade de energia para o animal.

      Comprovações definitivas de sua eficácia, ainda não podem ser evidenciadas.

      Há controvérsia se a utilização destes suplementos é realmente eficaz na performance atlética ou mesmo desenvolvimentar do animal.

      Entretanto, o que temos observado, é que alguns animais respondem positivamente ao uso destes suplementos e outros nem tanto.

      Cabe aqui ressaltar que esta diferença, pelos motivos já citados, pode ser devida às individualidades de cada animal, a fatores inerentes a ele, ao meio ambiente e à interação entre o animal e o meio ambiente.

      Portanto, para o uso prático destes suplementos, não se deixe levar apenas pela propaganda, muita vezes enganosa, de promessa disso ou daquilo.

      Consulte um técnico especializado, muitas vezes sai mais barato que o uso indiscriminado destes suplementos.

      Teste o produto em seu animal por 45 a 60 dias. Se houver resposta positiva, é uma evidência da necessidade de seu animal àquele suplemento. Caso tenha dúvidas de melhora na performance, provavelmente seu animal não necessita de tal suplementação.

      Na dúvida, não prejudique.

André Cintra é colaborador do nosso site desde 17/05/2005 e já possui 22 publicações em nosso Portal nas categorias: Nutrição, Saúde e Negócios
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