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ALIMENTAÇÃO DE ÉGUAS RECEPTORAS
 

     Uma das principais causas de infertilidade das éguas reprodutoras está ligada aos desequilíbrios nutricionais. Cerca de 80% dos problemas de infertilidade, de uma forma ou de outra, podem ser atribuídos a uma alimentação desequilibrada.

     Uma alimentação equilibrada permite a uma égua receptora estar com status corporal ótimo, nem obesa, nem magra em demasia, de forma que seu ciclo estral seja bem definido, com boa formação de corpo lúteo que lhe permitirá manter uma gestação com bom desenvolvimento embrionário e fetal. Mas, antes de tudo, uma boa alimentação de receptoras no período que antecede a concepção, lhe permitirá entrar no cio regularmente e mesmo responder a uma terapia hormonal de forma eficaz, fator preponderante em uma transferência de embrião.

     A regulagem do sistema hormonal e o bom funcionamento do sistema reprodutivo de uma égua receptora (assim como de todos os sistemas do organismo) dependem fundamentalmente de um equilíbrio nutricional proporcionado a estas éguas durante toda sua vida reprodutiva.

     O fornecimento de quantidade adequada e equilibrada de proteína, energia, vitaminas e minerais, mesmo para um animal em manutenção, é fundamental para que a égua tenha um bom desempenho reprodutivo.

     As necessidades de uma égua reprodutora vazia e até o 8º mês de gestação são semelhantes às necessidades de um animal em manutenção, isto é, energia baixa, de 16,4 mcal por dia (animal de 500 kg de peso), proteína bruta de 820 g por dia, mas de excelente qualidade com boa quantidade de aminoácidos disponíveis e quantidades mínimas, mas suficientes, de vitaminas e minerais, estes mais do que essenciais ao bom funcionamento hormonal e fisiológico de qualquer organismo. Isso é facilmente obtido com uma pastagem de boa qualidade e uma boa suplementação com sal mineral específico para eqüinos e, eventualmente, uma suplementação com ração de boa qualidade.

     Porém, na prática, não é isso o que observamos. Como é necessária uma quantidade muito elevada de éguas para um programa de transferência de embriões, e para facilitar o manejo estas devem ficar próximas do local onde será efetuado o processo, em geral os proprietários mantêm estas éguas em uma pastagem de baixa qualidade, superlotadas, muitas vezes com quantidades de alimento aquém das necessidades mínimas do plantel. E para piorar, eles “suplementam” com um farelinho de trigo e eventualmente misturado a um rolão de milho ou quirera, ou ainda com ração de baixíssima qualidade, para baratear os custos. Isto acarreta um grave desequilíbrio nutricional que certamente prejudicará todo o processo de transferência de embriões.

     Temos então a chamada “economia burra”, onde economizamos por um lado e gastamos muito mais por outro, afinal serão necessários mais coletas e transferências para o sucesso de um embrião transplantado.

     O grande erro que se comete é pensar que estes animais, por serem éguas de descarte de outros plantéis, de serem de baixo valor zootécnico, não devem ser bem tratados. Enquanto a égua doadora, grande campeã da raça, de alto valor financeiro e zootécnico recebe ração de primeiríssima qualidade em grande quantidade, capim e feno do melhor, além de diversos suplementos, a receptora recebe o que há de pior na propriedade, ficando com os piores pastos e a pior suplementação.

     A realidade deveria ser justamente o contrário. Uma égua doadora, se não está em campanha esportiva, tem necessidades muito menores do que a receptora, afinal de contas, ela deve simplesmente estar em estado nutricional de manutenção o tempo todo, apenas para gerar o embrião, com uma alimentação simples e equilibrada.

     Quando falamos de alimentar uma égua em reprodução, jamais devemos pensar no animal em si, de sua qualidade e potencial genético, de sua campanha e de sua performance em pista, devemos sim pensar em quais são suas reais necessidades nutricionais.

     As necessidades diferenciais de uma égua reprodutora são totalmente voltadas para o produto que ela carregará em seu ventre, afinal de contas, para ela, o mínimo para manutenção é suficiente. Mas, a partir do momento em que ela carrega um potro em seu ventre, este possui necessidades específicas que devem ser adicionadas à alimentação da égua para que o potro possa se desenvolver corretamente, necessidades estas que devem ser supridas por toda a gestação até o desmame do potro.

     Um dos maiores riscos do sucesso da Transferência de Embrião está na alimentação de éguas receptoras, muito negligenciada pela grande maioria dos plantéis brasileiros.

André Cintra é colaborador do nosso site desde 17/05/2005 e já possui 22 publicações em nosso Portal nas categorias: Nutrição, Saúde e Negócios
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