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Hiperparatireoidismo Nutricional Secundário - “Cara Inchada”
 

     

Hiperparatireoidismo Nutricional Secundário

     

Osteodistrofia Fibrosa

     

“Cara Inchada”

     O Hiperparatireoidismo Nutricional Secundário ou Osteodistrofia Fibrosa, doença também conhecida como “Cara Inchada”, está relacionada ao aumento da liberação de um hormônio, o PTH (hormônio da paratireóide), que atua retirando cálcio dos ossos para a corrente sangüínea.

     Este hormônio é liberado quando se observa uma alteração na relação Cálcio - Fósforo (Ca:P) na corrente sangüínea.

     Esta relação deve ser próxima de 2:1 (1,6:1 para potros em crescimento e éguas em lactação; 1,8:1 para cavalos de esporte e em manutenção).

     Quando houver um desequilíbrio sangüíneo nesta relação, com aumento da quantidade de Fósforo no sangue, o organismo vai tentar reequilibrá-lo retirando cálcio do maior reservatório do corpo do animal que são os ossos.

     Ocorre que os ossos também necessitam de cálcio, pois é ele que dá consistência aos ossos. Os primeiros ossos a sofrerem com a retirada do cálcio, são os ossos da face.

     Quando ocorre retirada do cálcio dos ossos da face, o tecido ósseo precisa ser substituído e ocorre uma proliferação de um tecido ósseo sem cálcio (aerado) no local onde seria o osso: este tecido possui um volume maior, dando a aparência de que o cavalo está com a cara inchada.

     Basicamente, são 4 os fatores que podem causar esta enfermidade:

     1. Deficiência de Cálcio na Alimentação: com a baixa oferta de cálcio, ocorre uma menor absorção para a corrente sangüínea, diminuindo os níveis de cálcio e a relação Ca:P.

     2. Excesso de Fósforo na Alimentação: Mesmo que os níveis de cálcio estejam corretos na alimentação, um excesso de fósforo causará o desequilíbrio na relação Ca:P. Este excesso de fósforo normalmente esta ligado ao consumo excessivo de grãos de milho ou farelo de trigo ou de certas gramíneas, como napier.

     3. Ingestão de Oxalato: O oxalato é uma substância presente em algumas forrageiras que, ao ser absorvida pelo organismo, se une ao cálcio formando um quelato, tornando-o indisponível e impedindo que este possa cumprir suas funções vitais. Alguns tipos de pastagens são ricas em oxalato e, sempre que possível, devem ser evitadas para não prejudicar o animal, como por exemplo a setária, o quicuio e alguns tipos de brachiárias.

     4. Deficiência de Vitamina D: Esta vitamina é necessária para que o cálcio seja absorvido pelo organismo; em sua ausência, ocorre desequilíbrio na relação Ca:P. Esta causa é rara, pois ocorre apenas em cavalos que não tomam sol.

     O principal sintoma observado é aumento de volume dos ossos da face do animal, em geral bilateral e, em alguns casos, uma ligeira claudicação sem causa aparente.

     O principal tratamento é a correção da causa primária, como aumentar a administração de cálcio (nos casos de deficiência deste), diminuir o fósforo (quando em excesso) e evitar pastagens ricas em oxalato.

     Nos estágios iniciais pode ser suficiente corrigir a causa primária.

     Em estágios mais avançados, deve-se proceder a uma administração maciça de cálcio, além de medicamentos que auxiliem na absorção deste cálcio, nem sempre alcançando êxito.

     É fundamental iniciar o tratamento nos estágios iniciais, pois, em casos graves, a cara inchada pode levar o animal à morte por obstrução dos seios nasais impedindo a respiração.

     O melhor tratamento é a prevenção. Esta deve ser feita alimentando-se adequadamente o animal, com rações balanceadas de boa procedência, capim ou feno de boa qualidade, sal mineral à vontade em cocho separado. Ressaltando aqui que o sal mineral deve fazer parte da dieta normal do cavalo, diariamente, e não apenas quando se observar uma deficiência.

     Lembramos ainda que o animal deve tomar sol algumas horas por dia para que ele sintetize a vitamina D necessária para a absorção do cálcio.

André Cintra é colaborador do nosso site desde 17/05/2005 e já possui 22 publicações em nosso Portal nas categorias: Nutrição, Saúde e Negócios
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