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IMPORTANCIA DO CONSUMO DE NUTRIENTES ADEQUADO NO DESEMPENHO DE CAVALOS ATLETAS.
 

     As criações de eqüinos com finalidades distintas têm buscado melhorar cada vez mais os animais para as mais diversas atividades sócio-econômicas eqüestres desenvolvidas em nosso país, procurando expressar o máximo potencial genético através de estratégias nutricionais adequadas. A caracterização dos alimentos é fundamental para que se tenha êxito na utilização adequada dos mesmos na alimentação dos eqüinos. No processo de caracterização dos alimentos é importante conhecê-los quanto à composição química – bromatológicas bem como quanto à presença de fatores anti-nutricionais ou outras características que possam limitar o consumo e a absorção de nutrientes em uso na alimentação animal. Ainda dentro deste contexto o processo de caracterização é avalia também a capacidade que os alimentos têm em disponibilizar seus nutrientes para os processos metabólicos do organismo animal. Isto é feito, em princípio, através da determinação da digestibilidade dos componentes do alimento, ou seja, a proteína, os carboidratos e os lipídeos e, a biodisponibilidade dos minerais. Além disso, outro ponto muito importante refere-se à avaliação da ingestão dos diferentes alimentos pelos animais, devido a caracterização morfofisiológica do trato gastrintestinal de cada espécie.

      Autores sugerem que a alimentação representa, cerca de 70% dos custos de criação de eqüinos caracterizando um dos principais fatores para o sucesso da atividade, e as dietas para eqüinos devem ser elaboradas respeitando-se a fisiologia digestiva para se obter uma melhor eficiência alimentar e, deste modo, evitar desde transtornos gastrintestinais agudos a distúrbios digestivos crônicos.

      A quantidade de alimentos que um cavalo pode ingerir varia de acordo com o teor de matéria seca dos alimentos, com o peso vivo do animal, com a sua produção e com o seu estado fisiológico. Já a capacidade dos diferentes segmentos do trato gastrintestinal, a taxa de passagem da digesta, a concentração dos nutrientes na digesta do intestino e, principalmente, as necessidades energéticas são os fatores mais expressivos que explicam a regulação do consumo de matéria seca dos eqüinos. Sendo assim, sabe se que o consumo e consequentemente o fluxo da digesta no tubo digestivo dos animais é influenciado por vários fatores, como espécie, idade, estado fisiológico, exercícios, temperatura ambiente, ingredientes da dieta, tamanho da partícula, freqüência de alimentação e teor de fibra da ração, ou seja características do animal e dos alimentos estão intimamente interligados agindo em sintonia.

      Um eqüino adulto pode ter seu consumo voluntário de alimento variando na faixa de 8 a 12 kg com base na Matéria Seca (MS), variando entre 1,50% e 3,0% do peso vivo. O uso e a proporção de volumoso-concentrado podem variar entre animais jovens e adultos. Cavalos adultos podem consumir dietas exclusivas ou em maior proporção de volumosos, enquanto que os animais mais jovens consomem menores quantidades de volumosos e, na maioria das vezes, a dieta é suplementada com uma fração maior de concentrado. Nos animais adultos, alimentos com maiores proporções de volumosos, a digestão de fibras contribui com dois terços do requerimento energético, suficiente para atender as exigências de mantença. Para animais jovens que se alimentam com baixas proporções de volumoso, essa contribuição energética não passa de um quarto, não atingindo as exigências de crescimento. O animal compensa o déficit energético aumentando o consumo de concentrado e obtendo energia vai absorção ativa pré-cecal na forma de glicose.

      Eqüinos soltos em pastagem de boa qualidade consomem, diariamente, de 2,00 a 3,00% de seu peso vivo (PV) na base da matéria seca (MS). Quando os requerimentos energéticos do animal aumentam mais do que quando a forragem pode oferecer voluntariamente, é necessário que a dieta forneça no mínimo, 1,00% do PV, em matéria seca de volumoso, e que seja fornecido concentrado suficiente para se atingirem os requerimentos energéticos.

      Em revisão de alimentos para eqüinos, citou se que os herbívoros são muito sensíveis à qualidade dos alimentos, onde pastagens de gramíneas, no estagio de pré-florecimento, podem ser consumidas em quantidades diárias de 90 a 100 kg na base da matéria natural, enquanto que, ao se passarem de duas a três semanas no estagio de florescimento, o consumo pode diminuir para até de 50 a 60 kg na base de matéria natural, consequentemente a disponibilidade de nutrientes fica diminuída. Quando em pastejo, os eqüinos consomem, preferencialmente, gramíneas numa proporção de 70 a 80%, seguidas de leguminosas, 10 a 15%, e de outras espécies de forrageiras, 5 a 10%.

      A freqüência do consumo influencia a digestibilidade, com exceção de quando os animais ingerem dietas peletizadas, o efeito da freqüência alimentar sobre a digestibilidade pode alterar a absorção de nutrientes e o parcelamento da alimentação em eqüinos é importante para melhorar a digestão gástrica e para garantir um fluxo duodenal mais constante evitando a possibilidade de aparecimentos de distúrbios alimentares e comportamentais.

      A digestibilidade dos nutrientes nos alimentos, teoricamente, se expressa como porcentagem do nutriente que desaparece no balanço entre a ingestão e a excreção por uma determinada espécie animal. Existe uma série de fatores que podem influenciar a digestibilidade dos alimentos para eqüinos, tanto devido ao animal em função das características genéticas ou individualidade, quanto em função das características intrínsecas dos alimentos, especialmente como composição química - bromatológicas, quantidade consumida, tamanho de partícula, teor em água, quantidade de fibra e procedimentos analíticos laboratoriais, entre outros.

      Pesquisas que estudaram a influência da ordem de fornecimento do volumoso e do concentrado nas digestibilidades dos nutrientes, conclui se que o melhor para eqüinos foi o fornecimento do volumoso antes do concentrado, seguido do volumoso misturado ao concentrado, com base nos resultados alcançados, onde os valores de digestibilidade obtidos, respectivamente, para ambos os manejos foram; para MS (52,80 e 55,30%), PB (56,70 e 58,00%), celulose (36,40 e 40,80%). Experimentos com eqüinos machos, de diferentes idades e utilizando rações completas, com algumas variações nos ingredientes utilizados, relataram valores de digestibilidade aparente da matéria seca variando de 58,2 a 86,5% e para proteína bruta variando de 60,83 a 85,9%. Eqüinos recebendo dietas à base de gramíneas e concentrados, com valores médios de 86,9% de matéria seca e 12,1% de proteína bruta na sua composição química, apresentaram valores médios de digestibilidade da MS e PB de 61,34 e 69,88%, respectivamente. Os autores de pesquisas, entretanto, demonstraram que na literatura consultada, os coeficientes de digestibilidade podem variar de 27,8 a 88,2% e de 28,0 a 90,89%, respectivamente, para MS e PB. Ainda existem relatos que experimentos publicados com eqüinos recebendo dietas à base de gramíneas e concentrado, com valores médios de composição química de 20,2% de FB, 52,9% de FDN e 25,11% de FDA, apresentaram valores médios de coeficiente de digestibilidade de 40,4, 48,3 e 37,9%, respectivamente. Entretanto, os autores relatam que os valores experimentais podem variar de 17,6 a 65,5%, de 16,9 a 71,2% e de 12,8 a 63,9%, respectivamente, para os coeficientes de digestibilidade aparente da FB, FDN e FDA.

      São devidos as grandes variações nos valores de digestibilidade que o consumo adequado de nutrientes influencia diretamente no atendimento das exigências nutricionais dos eqüinos, principalmente os que desempenham atividades físicas, refletindo diretamente no desempenho dos cavalos.

      O atendimento das exigências nutricionais é quem vai garantir que os animais tenham consumido as quantidades de nutrientes necessários para realização das atividades a qual se destinam, é claro que além de uma nutrição perfeita e adequada um treinamento adequado representa papel fundamental no maxímo desempenho do animal.

      Os cavalos atletas têm uma alta exigência principalmente em energia, por isso a necessidade de suplementação alimentar com uso de concentrados e é depende da intensidade e duração do exercício, do tamanho do animal e do peso do cavaleiro. Normalmente, uma hora de trabalho moderado eleva as exigências de mantença acima daquela que pode ser suprida somente por uma forragem de boa qualidade.

      Desta forma, não existe uma “receita de bolo” para a alimentação de cavalos atletas, existindo a necessidade de um conhecimento amplo dos alimentos, da fisiologia digestiva dos eqüinos e manejos, para fornecer as quantidades necessárias de nutrientes para que os mesmos desempenhem o maxímo de performance. Sempre é aconselhado a consulta de um bom técnico especializado para esclarecer duvida e analisar cada caso específico.

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     É autora também deste texto:

     Paula Konieczniak

     Aluna do Curso de Zootecnia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE, Campus de Marechal Cândido Rondon – Paraná.

     

Leonir Bueno Ribeiro é colaborador do nosso site desde 27/09/2006 e já possui 13 publicações em nosso Portal nas categorias: Manejo, Nutrição, Saúde, Negócios e Crônicas
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