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UTILIZAÇÃO DA METODOLOGIA DOS N-ALCANOS NA DETERMINAÇÃO DO CONSUMO ...
 

     UTILIZAÇÃO DA METODOLOGIA DOS N-ALCANOS NA DETERMINAÇÃO DO CONSUMO, DA COMPOSIÇÃO E DA DIGESTIBILIDADE DE DIETAS PARA EQÜINOS

     No Brasil o rebanho de eqüinos é de aproximadamente seis milhões de cabeças, (FAO, 2000) apresentando um grande potencial para consumo de rações e serviços a fins. A criação de eqüinos deve passar obrigatoriamente pela qualidade do manejo nutricional, entretanto o custo mostra-se também importante para o sucesso da criação. Desta forma é importante fornecer alimentos nutricionalmente adequados a essa espécie, proporcionando um bom desenvolvimento, mas ao mesmo tempo em que sejam adequados em baratear o custo de produção. As criações de eqüinos com finalidades distintas têm buscado melhorar cada vez mais os animais para as mais diversas atividades sócio-econômicas desenvolvidas em nosso país, procurando expressar o máximo potencial genético através de estratégias nutricionais adequadas.

      A caracterização dos alimentos é fundamental para que se tenha êxito na utilização adequada dos mesmos na alimentação dos animais. No processo de caracterização dos alimentos é importante conhecê-los quanto à composição química – bromatológicas para o qual se podem utilizar metodologias como as propostas pela AOAC (1990). No processo de caracterização é avaliada também a capacidade que os alimentos têm em disponibilizar seus nutrientes para os processos metabólicos do organismo animal. Isto é feito, em princípio, através da determinação da digestibilidade dos componentes do alimento, ou seja, a proteína, os carboidratos, os lipídeos e dos minerais. Além disso, outro ponto muito importante refere-se à avaliação da ingestão dos diferentes alimentos pelos animais, devido a caracterização morfofisiológica do trato gastrintestinal de cada espécie.

      Assim, pesquisas de avaliação de alimentos utilizam ensaios de digestibilidade como ferramenta interpretativa, que respaldam a elaboração de estratégias nutricionais para eqüinos. Há uma série de fatores podem influenciar a digestibilidade dos alimentos para eqüinos, tanto devido ao animal em função das características genéticas ou individualidade, quanto em função das características intrínsecas dos alimentos, especialmente como composição química do alimento consumido, tamanho de partícula, teor em água, quantidade de fibra, dentre outros (Van Soest, 1994).

      A avaliação do valor nutritivo dos alimentos consumidos pelos animais, em condições de pastejo ou confinados, tem sido um desafio para os nutricionistas. O procedimento mais utilizado para determinação de digestibilidade aparente dos nutrientes em dietas para eqüinos tem sido o método de coleta total de fezes, que estima a diferença entre a quantidade total do nutriente consumido e a do nutriente excretado nas fezes. Assim, propiciam testes-referência sobre o potencial de uso de alimentos e respectivas inferências sobre a utilização dos nutrientes pelos animais. Quando nos referimos ao conhecimento da qualidade nutricional de pastagens é que encontramos os maiores problemas, uma vez que boa parte dos eqüinos criados em nosso pais são alimentados durante varias fases de sua vida em sistema de pastejo.

      A determinação da digestibilidade é um dos parâmetros importantes para essa avaliação; entretanto, a determinação desta por intermédio do método tradicional de coleta total de fezes requer controle rigoroso da ingestão e excreção, o que o torna trabalhoso e oneroso. Isto levou à idealização de outros métodos, nomeados de métodos indiretos (indicadores ou dos marcadores) os quais apresentam certas vantagens sobre o da coleta total de fezes, que a exemplo da simplicidade e conveniência de utilização, podem proporcionar uma série de informações, incluindo-se a quantidade ingerida de alimentos ou nutrientes específicos, a taxa de passagem da digesta por todo o trato digestório e a digestibilidade de todo alimento ou nutrientes específicos (Berchielli et al. 2000).

      Estudos sobre indicadores internos têm sido realizados em ensaios de digestão com eqüinos com o objetivo de tornar as estimativas de digestibilidade aparente de nutrientes mais práticas e econômicas (Stein et al 2006). A digestibilidade in vivo é influenciada por efeitos associativos, pelo nível de consumo, pela taxa de passagem e por interações destes fatores; por isso, freqüentemente é difícil imitar essas condições in vitro (Cochran et al., 1986). Nessas condições, a estimativa da digestibilidade por intermédio de indicadores pode ser desejável (Van Soest, 1994), possibilitando formular dietas a fim de suplementar animais em pastejo de acordo com suas necessidades fisiológicas e consumos de nutrientes presente nas pastagens (Byrd, 2003).

      Constituintes naturais das dietas que apresentam baixa digestibilidade têm sido utilizados como possíveis indicadores. Os indicadores internos apresentam a vantagem de já estarem presentes no alimento e, de modo geral, permanecerem uniformemente distribuídos na digesta durante o processo de digestão e excreção, os quais possibilitam a avaliação do consumo e digestibilidade de nutrientes em condições de pastejo, por exemplo. Substâncias que foram avaliadas como indicadores internos para avaliação de digestibilidade com eqüinos são os componentes da parede celular, como a fibra em detergente neutro indigestíveis (FDNi), a fibra em detergente ácido indigestíveis (FDAi), a cinza insolúvel em acido (CIA), a lignina em detergente ácido (LDA) segundo Stein et al. (2006) e mais recentemente como alternativa, analises dos n-alcanos presente nas forragens e fezes (McLean, et al. 1996; Gudmundsson e Thorhallsdottir, 1998; O’Keefe e McMeniman, 1998; Ordakowski, et al. 2001; Byrd, 2003).

      Os n-alcanos, hidrocarbonetos saturados alifáticos de cadeia longa presentes naturalmente nas cutículas das plantas, vêm sendo utilizados como indicadores em experimentos de animais herbívoros em pastejo por serem altamente indigestíveis, podendo ser designados, analogamente, como espécie de impressão digital das plantas e de fácil determinação com uso de cromatografia gasosa (Dove e Mayes, 1991; Côrtes, et al. 2005 a, b).

      O método dos n-alcanos permite a estimação da composição botânica de pastagens (estima as espécies forrageiras que o animal esteja consumindo) e, conseqüentemente, da dieta dos animais a partir de procedimentos laboratoriais relativamente simples em amostras de fezes e de forragem. No entanto, é imprescindível que a forragem amostrada (dieta) seja representativa dos sítios pastejados pelos animais (Lee e Nolan, 2003).

      Existem variações qualitativas e quantitativas das dietas consumidas por herbívoros em pastejo, pois, além das plantas forrageiras estarem em constantes variações botânicas e nutritivas em função do seu estagio fisiológico, existe o fator da seletividade de pastejo (Côrtes, et al. 2005 a, b). Portanto, estimar acuradamente os recursos alimentares disponíveis e participantes das dietas, como espécies e frações de plantas, é tarefa bastante complexa, porém, fundamental em estudos de nutrição animal (Dove, 1992). A técnica dos n-alcanos é eficiente para predizer a composição de dietas em situações controladas e determinar a digestibilidades de forrageiras (Damasceno et al., 2001; Lewis et al., 2003).

      A utilização da metodologia de n-alcanos é relativamente nova pesquisas com eqüinos, e considerando a literatura consultada existem poucos estudos realizados utilizando esta técnica, e conduzidas em paises estrangeiros. McLean et al. (1996) utilizou os n-alcanos presentes nos volumosos (silagem e feno) para determinar a digestibilidade da matéria orgânica, consumo voluntário e taxa de passagem do alimento pelo trato gastrintestinal de eqüinos adultos. O autor não encontrou diferenças significativas nas respostas, o que levou – o a concluir que os n-alcanos podem ser utilizados para estimação do consumo voluntário com boa confiabilidade.

      Gudmundsson e Thorhallsdottir (1998) utilizaram os n-alcanos para avaliar o consumo e determinar a digestibilidade de alimentos fornecidos aos cavalos que apresentavam idade e peso diferentes, alimentados com feno colhido em três datas diferentes (épocas do ano). Encontraram elevado coeficiente de variação entre as cadeias de alcanos utilizados, o que torna-se difícil a analise estatística dos dados obtidos, mas entretanto podem ser utilizados como indicador de digestibilidade aparente, ressalvando ao final que devem ser considerados ainda alguns procedimentos quanto ao uso efetivo desta metodologia.

      O’Keefe e McMeniman, (1998), trabalhando em pesquisa para avaliar a taxa de recuperação fecal das cadeias de alcanos, concluíram que devido a taxa de recuperação de n-alcanos estes podem ser utilizados para determinar a composição da dieta, contrastando os dados obtidos com o estudo de Gudmundsson e Thorhallsdottir (1998).

      Ordakowski et al. (2001) determinaram a digestibilidade aparente da matéria seca em eqüinos adultos alimentados em duas situações (recebendo apenas feno e feno mais concentrado), não encontrando diferenças significativas entre as estimativas pelo método tradicional de coleta total de fezes em comparação ao uso de alcanos como indicador.

      Byrd (2003) também estudou os alcanos na determinação da digestibilidade de dietas compostas (feno e concentrado, e feno e concentrado com inclusão de óleo) para eqüinos, e da mesma forma recomendou a utilização dos n-alcanos devido aos bons resultados obtidos na determinação da digestibilidade, sugerindo também a possibilidade de determinar a digestibilidade de eqüinos em sistemas de pastejo.

      Portanto a metodologia de n-alcanos pode possibilitar estimar o consumo voluntário de volumosos, assim como determinar a digestibilidade dos nutrientes e a composição das dietas, que são variáveis que podem ser analisadas em dietas para eqüinos seja em sistema de pastejo ou estabulados.

      Desta forma, pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá – UEM estão desenvolvendo estudos com o objetivo de avaliar as possibilidades de utilização da técnica de n-alcanos na avaliação nutricional de alimentos e de dietas para eqüinos em nosso país. Este trabalho terá o intuito de elucidar algumas duvidas quanto a implementação desta técnica, como por exemplo, identificar o melhor comprimento de cadeia de alcanos que expressa resultados mais acurados, além de verificar a possibilidade real de determinar a composição das dietas o que tornaria uma ferramenta valiosa na determinação de digestibilidade de forragens em sistema de pastejo. Isto possibilitará obter informações práticas a serem utilizadas na nutrição de eqüinos, que proporcione realizar uma suplementação alimentar mais especifica, evitando custos elevados e desperdício. Desta forma mostra-se importante investigar a viabilidade e a eficiência da metodologia de uso dos n-alcanos em pesquisas com eqüinos no Brasil, em especial avaliando volumosos utilizados largamente na alimentação desta espécie.

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     É autor também deste texto:

     Carlos Eduardo Furtado

     Professor Doutor do Curso de pós-Graduação em Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá-UEM.

Leonir Bueno Ribeiro é colaborador do nosso site desde 27/09/2006 e já possui 13 publicações em nosso Portal nas categorias: Manejo, Nutrição, Saúde, Negócios e Crônicas
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